Muitos pacientes de artrite reumatoide não obtêm melhoras com os tratamentos tradicionais da doença. Eles dependem de medicamentos mais modernos, muitos deles de alto custo, que ainda não são garantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para o presidente da Sociedade Catarinense de Reumatologia, Gláucio de Castro, é preciso ampliar o acesso aos chamados medicamentos biológicos. “O controle adequado da doença é fundamental para a melhoria da qualidade de vida do paciente, para a prevenção do desenvolvimento de deformidades articulares e para diminuir os riscos de outras doenças associadas à artrite reumatoide, em especial, osteoporose e doenças cardiovasculares”, destaca.
Blog – Os medicamentos para a artrite reumatoide têm evoluído? Os avanços da medicina estão conseguindo garantir mais qualidade de vida aos pacientes?
Dr. Gláucio – Nos últimos anos, o arsenal terapêutico contra a artrite reumatoide incorporou diversas novas drogas e outras estão por chegar. Essas drogas são proteínas e anticorpos derivados de engenharia genética, chamadas de medicamentos biológicos, e são muito eficazes no controle da artrite reumatoide. O advento de novas drogas, aliado a novas estratégias de tratamento, como tratamento mais precoce e emprego de combinações agressivas de medicamentos mais antigos, vem revolucionando o tratamento da artrite reumatoide, o que certamente se reflete em melhor qualidade de vida para os portadores dessa enfermidade.
Qual a importância de ampliar o acesso aos medicamentos de alto custo?
Dr. Gláucio – Os medicamentos biológicos são drogas de custo elevado. Atualmente, o SUS fornece aos portadores de artrite reumatoide as drogas conhecidas como DMARDS (drogas modificadores da artrite reumatoide) e medicamentos bloqueadores de fator de necrose tumoral alfa. No entanto, nem todos pacientes respondem adequadamente a esses medicamentos. Outros têm contraindicações ao uso dos bloqueadores do fator de necrose tumoral alfa. Para esses casos, é necessário utilizar outros medicamentos biológicos, cujo fornecimento ainda não está garantido pelo SUS.
Por que o diagnóstico precoce é importante?
Dr. Gláucio – Evidências recentes apontam que quanto mais cedo for iniciado o tratamento adequado para a artrite reumatoide, maiores são as chances de se alcançar a remissão da doença e menor é o risco de desenvolvimento de deformidades. Um diagnóstico correto é imprescindível para a realização do tratamento adequado. Assim, é fundamental que o paciente procure sem demoras um reumatologista em caso de dor, aumento de volume e rigidez articular.
O que o portador de artrite reumatoide pode fazer para viver melhor?
Dr. Gláucio – Ele deve manter acompanhamento periódico com seu reumatologista, que lhe prescreverá medicamentos adequados para o controle da doença. Além disso, outras modalidades terapêuticas, como fisioterapia, terapia ocupacional e psicoterapia podem ser úteis. Como a artrite reumatoide aumenta o risco de doenças cardiovasculares, também é importante que os pacientes evitem fumar, mantenham dieta saudável e pratiquem exercícios físicos.